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TÉCNICA – Conserto de alto-falantes


Figura 1 – Alto-falante consertado e montado

Figura 1 – Alto-falante consertado e montado

Neste post, mostro como consertar um antigo woofer de 15″. É um Selenium 38GPT12, utilizado para sonorização. Tive de consertar um par por conta de uns “amigos”, que ultrapassaram os seus limites (deles e dos transdutores). Como muitos, não entendiam que som de qualidade não é, necessariamente, som alto…

A técnica demonstrada aqui é devida, em grande parte, aos artigos de áudio de CCDB (Cláudio César Dias Baptista), na revista Nova Eletrônica, nos anos 1980. Na época, ele publicou alguns textos sobre os “air couplers”, destinados às frequências sub-graves. Como ele precisava de um alto-falante com baixa frequência de ressonância (Fs), que não existia no Brasil, ele mostrou como fazer a adaptação para conseguir um Fs de 20Hz. Os artigos vieram inclusive com uma aula sobre o modo de fazer o alinhamento do cone e da aranha. Cláudio é o irmão mais velho de Arnaldo e Sérgio, dos Mutantes e atualmente é escritor, com vasta obra.

Material necessário

Para realizar a operação, algumas ferramentas são imprescindíveis (figura 2): faca adaptada (ver post anterior), espátula para cola – feita de fio de alumínio grosso, com ponta martelada -, tesoura de costura, lapiseira ou lápis com ponta fina, pedaços de lâminas plásticas de espessura uniforme (negativos de fotografia, filmes de poliéster, etc), agulha, estilete.

 Figura 2 – Ferramentas necessárias ao reparo.

Figura 2 – Ferramentas necessárias ao reparo.

 Os adesivos são um caso à parte, pois são necessários vários deles: cola de contato (de sapateiro, tipo Cascola, Brascoved ou Adesivo Universal Creme 3M), cola de cianoacrilato (Scotch Bond ou Super Bonder), cola epóxi (tipo Araldite ou Poxipol), cola branca PVA extra (tipo Cascorez ou Tenaz vermelha da Henkel) e fita crepe (Scotch).

Para manutenção de alto-falantes, também são empregados adesivos específicos, como a cola utilizada para a calota e para esconder/proteger a conexão dos fios. São de cor preta e ficam foscos e flexíveis após a secagem, de modo a evitar que se destaquem indevidamente em produtos novos. Como alternativa, pode-se utilizar a cola branca e a cola de contato. A escolha de uma ou outra dependerá do tipo de adesão necessário e o modo de esforço a que a união será submetida.

Outro produto importante para altofalantes é a cola gel. É utilizada para aumentar a flexibilidade da borda dos cones de papel ou tecido e evitar a fadiga prematura. Dá o típico aspecto “molhado” à borda e causa a redução da frequência de ressonância, o que melhora os graves.

Também é necessário ter em mãos o novo cone, a aranha, a bobina-móvel, a proteção contra pó (calota) e as guarnições de acabamento. Estes itens deverão ser escolhidos após a retirada do cone antigo, para poder identificar claramente os tipos de componentes utilizados. Também é necessário uma cordoalha de cobre, específica para alto-falantes, com a mesma bitola da original ou um pouco mais grossa.

Eventualmente, alguns fabricantes disponibilizam o conjunto cone/aranha/bobina montado e pronto para instalação, o que facilita enormemente o trabalho e evita erros que poderiam inutilizar os componentes. Por último, pode ser necessário trocar os bornes de conexão, caso algum esteja quebrado.

Retirada do cone antigo e limpeza da carcaça

É importante alertar que muitos alto-falantes apresentam defeito somente na cordoalha. Ela pode estar interrompida, por causa da vibração excessiva. Geralmente não será possível afirmar, apenas com inspeção visual, que a cordoalha está boa, por isto é importante testar, sob várias posições do cone, a sua continuidade, antes de prosseguir. Poderá ser necessário apenas cambiar a cordoalha e a calota que a protege, agilizando o reparo, baixando o custo do conserto e mantendo a originalidade do conjunto. Se não aparecer qualquer defeito, retira-se a cordoalha que liga a bobina-móvel à carcaça, dessoldando-a ou cortando-a.

Em nosso caso, o alto-falante raspava a bobina-móvel ao movimentar o cone, portanto era necessário um reparo completo. Este transdutor era vendido com uma guarnição metálica e tela acopladas à carcaça. Com a faca curta, retiramos a proteção e descolamos a borda do cone (figuras 3 e 4). Quando o alto-falante é antigo, como neste caso, a cola pode estar seca, facilitando a remoção dos componentes.

Figura 3 – Retirada da grade protetora.

Figura 3 – Retirada da grade protetora.

Figura 4 – Remoção da borda do cone.

Figura 4 – Remoção da borda do cone.

Figura 5 – Remoção da aranha.

Figura 5 – Remoção da aranha.

Figura 6 – Vedação do gap com fita crepe.

Figura 6 – Vedação do gap com fita crepe.

Figura 7 – Conjunto magnético removido, ainda com a cola.

Figura 7 – Conjunto magnético removido, ainda com a cola.

Figura 8 – Conjunto magnético limpo.

Figura 8 – Conjunto magnético limpo.

A aranha, se não for fácil soltar, deverá ser cortada (figura 5). Após sua remoção, é importante proteger o gap ou entreferro (fenda circular, com intenso fluxo magnético, por onde a bobina-móvel se movimenta), para evitar entrada de mais sujeira durante a limpeza. A fita crepe é espalhada sobre a fenda, em pedaços, como na figura 6.

Pode ser necessário, como foi neste caso, separar a carcaça do conjunto magnético (figuras 7 e 8), para limpar e aplicar adesivo novo entre estas peças. Este falante utilizava parafusos para fixá-los e tinha um defeito típico. Muitas vezes, a carcaça vibrava (ouvia-se um som de lata batendo), quando os parafusos afrouxavam um pouco e o adesivo entre a carcaça e o conjunto magnético estava ressecado.

A retirada da cola das bordas da aranha e do cone pode parecer um trabalho enfadonho, difícil e até perigoso, se for utilizada muita força para retirá-la. A primeira coisa que todos fazem é raspar a região, o que pode resultar na aparência da figura 9.

Figura 9 – Aparência da carcaça após raspagem da cola.

Figura 9 – Aparência da carcaça após raspagem da cola.

Figura 10 – Aplicando mais cola para ... removê-la.

Figura 10 – Aplicando mais cola para … removê-la.

Figura 11 – Cola aplicada, pronta para retirada.

Figura 11 – Cola aplicada, pronta para retirada.

Figura 12 – Removendo a cola ainda mole.

Figura 12 – Removendo a cola ainda mole.

Figura 13 – Aparência da borda após a remoção.

Figura 13 – Aparência da borda após a remoção.

Mas tem um método mais fácil para remover a cola, aplicando… mais cola! Uma camada nova de cola de contato sobre a antiga e ressecada (figura 10), fará com que elas se dissolvam juntas, facilitando a retirada. Na figura 11 aparece a camada adicional já aplicada, pronta para remoção. Após aguardar alguns minutos, pode-se utilizar a espátula para enrolar o adesivo, conforme a figura 12. Na figura 13, está o resultado final: carcaça limpa e lisa, onde aparece somente a mancha do adesivo antigo. Mas se o adesivo não dissolver, nem usando thinner, aí será necessário muito trabalho braçal… Aliás, deve-se cuidar para não usar thinner em alguns plásticos, pois poderá amolecê-los.

Limpeza do gap

Para a limpeza da fenda onde a bobina-móvel trabalha, são utilizados vários pedaços de fita crepe, dobrados com a camada adesiva para fora (figura 14). Percorre-se várias vezes a fenda com um trecho limpo de fita crepe, até que não saia mais sujeira (figuras 15 e 16). O adesivo da fita gruda as partículas e facilita sua retirada. É necessário que a fita crepe seja nova e de boa qualidade, ou o adesivo poderá ficar grudado no gap, arruinando todo o trabalho.

Figura 14 – Modo de utilizar a fita crepe para limpar o gap.

Figura 14 – Modo de utilizar a fita crepe para limpar o gap.

Figura 15 – Limpando o gap – I.

Figura 15 – Limpando o gap – I.

Figura 16 – Limpando o gap – II.

Figura 16 – Limpando o gap – II.

Alguns utilizam ar comprimido para fazer esta limpeza, mas isto não é aconselhável, pois afastará apenas momentaneamente aquele pó. A poeira estava ali por suas características magnéticas, pois tinha sido atraída. Um jato de ar não impedirá que algumas partículas fiquem por perto e depois sejam novamente atraídas para a região.

Após a limpeza, veda-se novamente a fenda com fita crepe, para proceder à seleção dos componentes.

Escolha dos componentes

Geralmente não é possível manter as características originais dos alto-falantes antigos, pois as linhas de produção mudam constantemente e os modelos ficam rapidamente obsoletos. Assim, deve-se aceitar que poderá ser necessário uma adaptação e que há a necessidade de otimizar os componentes para o uso que será feito do alto-falante.

Começamos com o cone. No meu caso, aguardei muitos anos para consertar o par de woofers e a intenção era montar um sistema para uso residencial, com resposta de graves razoável e boa sonoridade, sem necessidade de muita potência. Gosto muito do som dos cones de papel curvado (chamados de exponenciais). Por sorte, encontrei um modelo deste tipo que serviu perfeitamente para a finalidade pretendida. Mas ao escolher um cone diferente, para um uso diferente, a bobina-móvel geralmente tem de mudar.

Na figura 17 são mostradas duas bobina-móvels de mesmo tamanho, com enrolamentos distintos. O enrolamento mais curto é mais eficiente, mas poderá distorcer nas notas graves, já que a bobina-móvel poderá sair do fluxo magnético nas passagens mais fortes. O enrolamento mais longo é o inverso: aceita melhor as excursões do cone, mas a eficiência é menor, porque o enrolamento fica distribuído por uma área mais extensa. Nas dicas de links, ao final do texto, o primeiro remete a um artigo bem completo sobre as bobinas-móveis.

A forma da bobina-móvel deve ter altura total suficiente para alcançar e passar um pouco do encaixe com o cone, de modo a formar um conjunto rígido: cone/bobina-móvel/aranha. Uma forma muito longa poderá tocar na calota ou na parte inferior do conjunto magnético, o que deve ser evitado. Na figura 18 aparece um alto-falante em corte, onde pode ser vista a forma da bobina-móvel, em azul, além do enrolamento, em vermelho.

Figura 17 - Bobinas de mesmo diâmetro e alturas de enrolamento diferentes.

Figura 17 – Bobinas de mesmo diâmetro e alturas de enrolamento diferentes.

Figura 18 – Falante em corte (A) e detalhe da bobina (B) e posição da bobina (C).

Figura 18 – Falante em corte (A) e detalhe da bobina (B) e posição da bobina (C).

Há outros fatores que poderão melhorar a eficiência, como o uso de fio de seção retangular, mas abordá-los foge do escopo deste artigo, pois pretendemos apenas demonstrar uma técnica de manutenção. Em essência, sempre deve-se escolher a melhor bobina-móvel possível para o uso pretendido. Quem é da área verá que as bobina-móvels das fotos são modelos antigos, com forma de alumínio. Hoje em dia, há outros materiais para a forma, como o Kapton, um plástico resistente até 400ºC.

Outro componente é a centragem, mais conhecida por aranha. Chamar de aranha esta peça, provavelmente deve-se ao movimento que ela faz no falante, muito semelhante a algumas aranhas domésticas de pernas longas e finas. Porque não vejo outra semelhança entre as duas…

Então, a aranha a ser escolhida deve ser aquela que for mais parecida com a original, ao menos no diâmetro. Na figura 19, pode-se ver 3 aranhas de mesmo diâmetro, mas com alturas diferentes. Deve-se escolher aquela que irá ficar mais próxima do cone. Quando montada, a posição de repouso da aranha jamais poderá forçar o cone para fora ou para dentro. Caso contrário, a eficiência do conjunto será reduzida drasticamente, bem como os graves.

Figura 19 – Aranhas do tipo plana, média e alta.

Figura 19 – Aranhas do tipo plana, média e alta.

Figura 20 – Marcação da abertura para passar a bobina no cone.

Figura 20 – Marcação da abertura para passar a bobina no cone.

Figura 21 – Corte da base do cone, onde encaixa a bobina.

Figura 21 – Corte da base do cone, onde encaixa a bobina.

Figura 22 – Margem de segurança.

Figura 22 – Margem de segurança.

Figura 23 – Retirada da margem de segurança.

Figura 23 – Retirada da margem de segurança.

Fig 24 – Corte da aranha.

Fig 24 – Corte da aranha.

Fig 25 – posicionamento do cone com a aranha – vista lateral.

Fig 25 – posicionamento do cone com a aranha – vista lateral.

Fig 26 – posicionamento do cone com a aranha – vista frontal.

Fig 26 – posicionamento do cone com a aranha – vista frontal.

Casando aranha, bobina-móvel e cone

Marca-se com lápis a posição da bobina-móvel no cone, para poder cortá-lo com a tesoura de costura (figuras 20, 21, 22 e 23). Para iniciar o corte, faz-se um furo no centro, seguindo para a marcação. É melhor deixar inicialmente uma margem, para ir compensando aos poucos, até a bobina-móvel passar quase justo na abertura, sem forçar. Pode-se marcar também a posição da calota, para facilitar o serviço depois.

Então faz-se o corte da aranha, do mesmo modo, sem que seja preciso forçar para encaixá-la na bobina-móvel (figura 24). Após os cortes, verificar a posição relativa das peças, na carcaça (figura 25 e 26).

Posição da bobina-móvel

Aqui é onde muitos erram. A escolha de uma bobina-móvel inadequada fará com que ela não possa ser colocada na altura ideal, prejudicando enormemente o funcionamento do alto-falante. Do mesmo modo, se for alinhada incorretamente, o serviço todo será em vão.

Nos alto-falantes, o ponto onde acontece a conversão de energia elétrica em movimento é o gap ou entreferro. É uma fenda de formato circular, estreita, onde a bobina-móvel fica mergulhada. É neste ponto que os dois pólos do ímã “se olham”, resultando em um intenso campo magnético (figura 18A). O princípio de funcionamento é o mesmo de um motor elétrico: a corrente que passa por um fio, imerso em campo magnético, fará movimentar o tal fio. Por isso a bobina-móvel será levada para dentro ou para fora da estrutura, de acordo com a polaridade do sinal recebido. Na figura 27 pode-se notar mais detalhadamente o que explicamos.

Figura 27 – Vista em corte e perspectiva do conjunto magnético

Figura 27 – Vista em corte e perspectiva do conjunto magnético

Então, o importante para um alto-falante funcionar bem é que a bobina-móvel e sua estrutura jamais toquem qualquer parte do conjunto magnético, de modo a evitar distorções e maximizar o desempenho.

Aí começam os problemas, pois como os alto-falantes geralmente tem uma eficiência muito baixa – os melhores chegam no máximo a 10% -, qualquer ganho para melhorá-la é importante. Como se pode supor, a eficiência do alto-falante será maior quanto mais pequeno for o espaço do entreferro. A indústria utiliza o menor espaço possível para o gap, mas há limites. Por isto a bobina-móvel precisa ser posicionada firmemente em seu lugar, para não sofrer desvios laterais. A aranha e o cone realizam esta função de centralização.

Além disso, quanto maior quantidade de enrolamento estiver imersa no fluxo, mais eficiência também o conjunto apresentará.

Observe novamente a figura 18. O enrolamento da bobina-móvel aparece em vermelho e a placa superior, onde fica o gap, em amarelo.

A bobina-móvel, quando em repouso, deverá estar com o enrolamento exatamente no meio da altura do gap Para medir a altura do gap, é só medir a espessura do anel superior do conjunto magnético, que fica colado à carcaça. Na figura 27, pode-se ver que o gap, que é afinal o lugar onde ocorre o funcionamento do alto-falante, tem a altura X. Este trecho X deverá estar exatamente no meio da bobina-móvel. Se a bobina-móvel tem a altura de 20 mm, por exemplo, e o gap tem 10 mm, então a bobina-móvel ficará para fora somente 5mm para cima. Por consequência, o lado de baixo ficará 5 mm para dentro do gap, mas isto não será visível. Para determinar a altura da bobina-móvel pode-se, empiricamente, conectá-la a um rádio, por exemplo. A altura ideal será aquela em que soará mais alto (a bobina-móvel irá tremer mais naquele ponto).

Para alinhar a bobina-móvel, é necessário fazer tiras de material plástico resistente e de espessura bem definida, como as folhas de políéster (usadas em isolamento de motores) ou negativos de filmes fotográficos (figura 28). As tiras deverão ter uma largura condizente com o diâmetro da bobina-móvel. Deve-se evitar tiras muito largas, que poderão criar dobras e impedirão o ajuste correto. Também é interessante fazer um corte inclinado em uma das extremidades para facilitar a inserção no gap. Geralmente utilizo a largura de 5 a 10 mm para woofers.

Figura 28 – Tiras plásticas cortadas para alinhar a bobina.

Figura 28 – Tiras plásticas cortadas para alinhar a bobina.

Figura 29 – Tiras plásticas já colocadas para centralização.

Figura 29 – Tiras plásticas já colocadas para centralização.

Coloca-se a bobina-móvel com cuidado no gap e também algumas tiras plásticas, do lado de dentro da bobina-móvel. As tiras sempre são colocadas em lados opostos, até firmar a peça. Isto fará com que a bobina-móvel possa ser perfeitamente alinhada ao conjunto magnético. Ajustar a altura pretendida e colocar a aranha (figura 29).

Feita a conferência do posicionamento da bobina-móvel e com a aranha assentada sobre a carcaça, aplicar, com uma agulha, a cola de cianoacrilato entre a aranha e a bobina-móvel. Usar pouquíssimas gotas, que só servirão para posicionar o conjunto (figura 30). Não se cola nada à carcaça, ainda.

Aguarda-se uns instantes e coloca-se o cone, com cuidado para deixar os fios da bobina-móvel para a frente do alto-falante. Evitar desposicionar a aranha e a bobina-móvel. Alinhar o cone com relação à carcaça, mas sem forçar. Eventualmente, a aranha e o cone não são planos o suficiente e tendem a apresentar alguma deformação. Não tem problema, desde que não seja um exagero. Pode-se, por exemplo, apoiar a borda do cone com algum objeto e deixar descansando algum tempo (dias). Mas o importante é alinhar as três peças entre si.

Na figura 31, pode-se ver que o “pescoço” entre o cone e a aranha é bem pequeno. O cone e a bobina-móvel também deverão ser fixados com cianoacrilato (figura 32). Ainda não colar nada com a carcaça.

Figura 30 – Aranha levemente colada com cianoacrilato à bobina-móvel.

Figura 30 – Aranha levemente colada com cianoacrilato à bobina-móvel.

Figura 31 – Vista lateral, após colagem inicial.

Figura 31 – Vista lateral, após colagem inicial.

Figura 32 – Cone levemente colado com cianoacrilato à bobina-móvel.

Figura 32 – Cone levemente colado com cianoacrilato à bobina-móvel.

Figura 33 – Cola epóxi na parte da aranha voltada para o conjunto magnético.

Figura 33 – Cola epóxi na parte da aranha voltada para o conjunto magnético.

Figura 34 – Marcação da posição da calota protetora.

Figura 34 – Marcação da posição da calota protetora.

Reforço do conjunto

Após secar o cianoacrilato, aplicar cola epóxi entre a parte da frente do cone e a bobina-móvel. Esperar secar bem esta cola para reforçar a adesão de conjunto cone/aranha/bobina-móvel, que agora é uma peça única. Só então retirar as tiras, cuidadosamente. Retira-se o conjunto para aplicar cola epóxi no pescoço entre o cone e a aranha.

Na parte de baixo da aranha, também deve ser aplicada epóxi, fazendo que tanto a aranha quanto o cone estejam firmemente fixados à bobina-móvel (figura 33). Deve-se cuidar a quantidade de epóxi em cada aplicação, pois o excesso pode influenciar demasiadamente no peso do conjunto.

Ligação da cordoalha

Recolocar o conjunto cone/bobina-móvel/aranha na carcaça e marcar a posição do protetor de pó, como na figura 34. Nesta imagem, aparece o cone antigo do alto-falante, sobreposto ao novo. O cone velho teve o centro cortado com diâmetro pouco maior que o protetor, para ajudar a centralização.

Fazer dois furos para os fios das cordoalhas, de modo que fiquem abaixo do protetor de pó (figura 35). Cuidar para ficar uma folga entre as cordoalhas e o protetor, caso contrário o alto-falante poderá gerar ruídos. Estes furos devem ficar alinhados aos fios da bobina-móvel. O posicionamento abaixo da calota esconde as conexões, mas quando são utilizados protetores muito pequenos, que melhoram a reprodução das frequências médias, talvez seja impossível ocultar a fiação.

Figura 35 – Furação para passar as cordoalhas.

Figura 35 – Furação para passar as cordoalhas.

Figura 36 – Colagem das cordoalhas junto à bobina, após soldagem.

Figura 36 – Colagem das cordoalhas junto à bobina, após soldagem.

Figura 37 – Colagem das cordoalhas do lado dos terminais.

Figura 37 – Colagem das cordoalhas do lado dos terminais.

Cortar dois pedaços de cordoalha, que sejam sufcientes para a ligação à carcaça e tenham sobras para as conexões das extremidades. É interessante estanhar as pontas antes da montagem, pois facilitará a sua colocação. As cordoalhas deverão ser montadas com folga suficiente para o cone movimentar-se livremente e para possibilitar a conexão das extremidades. O comprimento pequeno causa fadiga prematura, podendo descolar do cone. O comprimento excessivo causa o balanço dos fios, que podem tocar no cone e gerar ruído.

Na frente do cone, enrolar os fios da bobina-móvel à cordoalha e soldar as junções. Passar as cordoalhas cuidadosamente pelos furos, fixando tudo com cola branca (figura 36). Aguardar a secagem completa desta cola. Se necessário, reaplicar para que a fiação e solda fiquem totalmente cobertas e não oxidem.

Na parte de trás do cone, dobrar a cordoalha em direção aos terminais de ligação e fixá-las de modo provisório, com fita crepe, ao cone. Aplicar cola de contato, pois é mais flexível e adequada a este ponto específico, que se movimenta muito (figura 37).  São necessárias várias camadas de cola e é preciso aguardar a secagem entre as passadas.

Em todas as colagens comentadas acima poderá ser necessário reposicionar as peças de modo que a superfície de colagem fique na horizontal, para evitar que a cola escorra ou fique mal distribuida.

Colocação definitiva do cone

Reposicionar o cone no seu lugar definitivo, alinhando os terminais de ligação com as cordoalhas. Recolocar as tiras plásticas, do mesmo modo que antes (figura 38). O cone e a aranha devem estar encostados à carcaça.

Aplicar cola de contato à borda da aranha, com a espátula. A aranha poderá ficar desposicionada inicialmente, mas deve-se repetir a aplicação de cola, inclusive por cima da borda. Com intervalo de poucos minutos, pressionar várias vezes a borda com a espátula, para que a aranha fique totalmente apoiada na carcaça. Quando a cola começar a secar, a aranha ficará no seu lugar (figura 39 e 40).

Figura 38 – Recolocação das tiras plásticas para alinhamento final.

Figura 38 – Recolocação das tiras plásticas para alinhamento final.

Figura 39 – Colagem da aranha.

Figura 39 – Colagem da aranha.

Figura 40 – Aparência da cola da aranha após a secagem.

Figura 40 – Aparência da cola da aranha após a secagem.

Figura 41 – Aplicação de gel na borda do cone. Não é cola branca.

Figura 41 – Aplicação de gel na borda do cone. Não é cola branca.

Figura 42 – Aparência da camada de gel após a secagem.

Figura 42 – Aparência da camada de gel após a secagem.

Aplicar a cola gel à borda flexível do cone e esperar secar (figuras 41 e 42). O objetivo de aplicar o gel antes de colar o cone é facilitar sua adesão à carcaça. Pode levar mais de um dia para o gel secar. Pode-se aplicar mais demãos de gel ao cone, sempre aguardando a secagem.

Daí, aplicar cola de contato à carcaça, na borda do cone, e pressionar para que fique na posição, do mesmo modo que foi feito com a aranha (figuras 43 e 44). Atentar para a figura 44, que mostra o cone levantado em dois pontos. Pressionando seguidamente, dando voltas ao redor da borda, chegará um momento que a cola ficará mais firme e o cone assentará no lugar.

Notar que durante a colagem da aranha e do cone ainda não foram retiradas as tiras plásticas da bobina-móvel.

Figura 43 – Aplicação da cola de contato à borda do cone.

Figura 43 – Aplicação da cola de contato à borda do cone.

Figura 44 – Aparência do cone, durante a colagem.

Figura 44 – Aparência do cone, durante a colagem.

Figura 45 – Aplicação de cola branca à calota de proteção.

Figura 45 – Aplicação de cola branca à calota de proteção.

Figura 46 – Colocação da calota.

Figura 46 – Colocação da calota.

Figura 47 – Fixação da calota com peso, para garantir boa adesão.

Figura 47 – Fixação da calota com peso, para garantir boa adesão.

Após a secagem, retirar as tiras plásticas, sempre cuidando para que não entre qualquer sujeira no gap. Colar a calota, conforme figuras 45 e 46. A calota deverá ficar firmemente aderida ao cone, pois está sujeita a muita vibração. Pode-se colocar um peso leve sobre ela, até secar (figura 47).

Colar as guarnições, alinhando-as com os furos de fixação do alto-falante. Soldar os fios das cordoalhas nos terminais. As cordoalhas deverão ser colocadas de maneira a repousar naturalmente nos terminais de conexão, fazendo uma leve curva. Ela não deve ficar muito folgada, pois poderia ficar batendo no cone, nem muito curta, o que causaria fadiga prematura da fiação e limitaria o movimento do cone.

Com o trabalho concluído, agora é só aproveitar. Se forem evitados exageros, o alto-falante poderá durar décadas, tranquilamente. No meu caso, se não os tivesse emprestado, talvez este artigo não saísse…

Dicas de Links

Artigo sobre bobina-móvel de alto-falantes – http://autosom.net/artigos_user/artigo_20060926142437Artigobobina-móvelsRev.pdf

HiFi speakers design – Sítio para projetistas de caixas acústicas – http://www.mh-audio.nl/

Como construir um alto-falante de painel – artigo de 1927… – http://www.clarisonus.com/Archives/Speakers/Roll_Spkr.pdf

Vídeos mostrando como reparar alto-falantes – http://www.youtube.com/watch?v=T2M8i-ifJnkhttp://www.youtube.com/watch?v=lxGswEB3O_Q

  1. firula
    14 de abril de 2014 às 15:12 | #1

    Olá, legal seu texto, mas creio q faltou umas dicas:
    Usar pouca cola na centragem/bobina, cone e chapéu, já q gramas a mais diminuem o desempenho dum falante.
    Na limpeza do sulco do imã é melhor papel do cone umedecido c/ álcool aguado do q c/ a cola da fita, já q podem ficar partículas dela aderidas. Isso diminui o magnetismo.
    E evitar centragem dupla, quando o original não tinha, já q também diminui a excursão do cone. Isso pra mesma bobina.
    No gap, pode-se também usar uma palheta de pet c/ o papel umedecido em álcool. Chega-se fácil até o fundo, permitindo limpeza completa deste canal magnético.

    vlw,grato.

    • 14 de abril de 2014 às 22:58 | #2

      Olá, Firula, muito boas suas sugestões, são sempre oportunas. Esteja à vontade para sugerir novos assuntos.

  2. Edilson Correia
    8 de abril de 2014 às 16:10 | #3

    Ai pessoal,
    por tudo que vi e li neste blog, agora eu sei muito mais do que sabia antes. Vou aventurar-me no conserto de alguns alto falantes velhos guardados há algum tempo. Obrigado e continuem a expor suas ideias e comentários, são muito uteis. Saudações. Edilson

  3. 6 de novembro de 2013 às 21:48 | #4

    Boa noite .Como encontrar a cola gel para a borda do falante? Poderia postar uma foto do pote, para sabermos marca ou tipo? Grato pela atenção. Cido

    • 6 de novembro de 2013 às 23:06 | #5

      Aparecido, marca de cola gel eu não conheço, os que a vendem normalmente compram a granel e embalam com sua marca.
      O que posso dizer é que não é a mesma coisa que uma cola PVC, como a Tenaz vermelha ou a Cascorex (ou Cascorez, não lembro).
      Não deve ser um produto de origem natural, pois dura muito tempo.
      Tenho um tubinho que usei uma 5 vezes, desde que comprei, há uns 15 anos, e está em plenas condições de uso.

      Já vi gente vendendo cola PVA como se fosse a cola gel, o que é pura enganação.
      No reparo de livros, é utilizada uma cola à base de metilcelulose, que é misturada, eventualmente, à cola PVA, mas não sei se poderia ser algo assim.

      É importante que após secar, ela não perca o brilho nem a flexibilidade.
      No comentário anterior, indiquei alguns fornecedores de materiais para conserto de alto-falantes, muitos deles tem os adesivos para vender.

  4. 5 de novembro de 2013 às 01:07 | #6

    Caros,
    onde vocês estão comprando as peças como bordas, bobinas, aranhas etc.?
    Obrigado.

    • 5 de novembro de 2013 às 08:57 | #7

      Hebert, eu conheço uma antiga loja, a Casa dos Cones, na Santa Ifigênia, em SP, mas se você buscar no Google por “peças reparos alto-falantes”, tem outras empresas:
      Blucolor, Mundo do alto-falante, Coimbra Cones, Videosomsp, Goiás Cones, mas não posso afirmar sobre qualidade de qualquer uma delas.

      • 5 de novembro de 2013 às 15:10 | #8

        Vou verificar e achando um bom fornecedor dou a dica aqui no seu blog.
        Obrigado.

  5. 2 de outubro de 2013 às 13:32 | #9
    • 2 de outubro de 2013 às 23:23 | #10

      Joab, no seu desenho você só mostra o ímã e a peça central como uma peça só. Mas a parte mais importante, que determina realmente o gap, você não desenhou.

      Para não deixar mais dúvidas com relação à posição da bobina no gap (ou entreferro), acrescentei o desenho C na figura 18, que tinha o falante visto cortado exatamente ao meio. Agora, na figura 18C, a bobina não aparece cortada.

      Olhe com cuidado: o gap é o espaço no qual a bobina fica mergulhada. A altura do gap é a mesma daquela peça que fica colada em cima do ímã e que tem a forma de uma grossa arruela, amarela. Esta arruela é a peça polar superior, na qual a carcaça é fixada. O enrolamento da bobina está desenhado em vermelho. O corpo da bobina, em azul. O ímã está em verde e a peça polar inferior, em marrom. O tarugo central faz parte da peça polar inferior.

      Revisando: a espessura da grossa arruela amarela é que determina a altura do gap. A peça polar central pode ser um tarugo cilíndrico simples ou com reentrâncias e anéis, para diminuir a distorção, mas isto não importa, quem determina a altura do gap é a peça externa.

      Então, a bobina deve estar alinhada no meio desta arruela. O que sobra de enrolamento para cima do gap deve ser exatamente igual ao que sobra para baixo.

      Se tiver mais dúvidas, escreva que farei as alterações necessárias no post.

  6. Aldovan
    26 de setembro de 2013 às 19:05 | #11

    Zébio

    Tirei as calotas de alumínio dos dois alto-falantes usando thinner em 10 minutos sem estragar nem enfraquecer o papel.
    Fica aqui minha dica, thinner é nota 10 !

    Aldovan

    • 26 de setembro de 2013 às 20:03 | #12

      Olá, Aldovan, desculpe a demora em responder. Eu iria dizer que o papel poderia ficar frágil, enquanto o thinner o estivesse umedecendo. Mas, pelo visto, sua dica funcionou perfeitamente, parabéns!

  7. Aldovan
    25 de setembro de 2013 às 23:13 | #13

    Zébio

    Me foi indicado passar Thinner ou acetona para dissolver a cola que prende a calota.
    Que você acha ? Será que estraga o papel ?
    E preciso prender a bobina para passer esse produto ?

    Grato,

    Aldovan

  8. Aldovan
    23 de setembro de 2013 às 14:46 | #14

    Zebio

    Muito bom o artigo, parabéns !
    Boa tarde.
    Quero apenas trocar um protetor de pó danificado de alumínio,
    Como faço para descolar o protetor do cone sem danificar ?
    Aqueço com um secador de cabelo ? Preciso fixar a bobina para evitar descentralização ?
    Consegui abrir o protetor com uma agulha e uma pequena tesoura, mas a cola é forte !

    Grato,

    Aldovan

    • 23 de setembro de 2013 às 22:20 | #15

      Aldovan, é isso mesmo, a cola é forte!
      É que ela deve aguentar as acelerações altíssimas do cone, quando em altas potências.
      Não pode se soltar jamais.
      Aliás, isto acontecia muito com as calotas (protetores) de alumínio, que ficavam vibrando junto, sujando o som do falante.

      Para você fazer um bom serviço e não estragar nada, recomendo retirar com cuidado a calota original de alumínio.

      Poderia testar com um soldador junto ao alumínio que está colado, para ver se ela amolece e libera o protetor, mas você poderá perfurar o cone, facilmente.

      Se nenhuma parte puder ser descolada, o jeito é recortar a calota, junto ao cone, utilizando aquelas tesouras pequenas, de ponta curva, das costureiras.

      Deixe o falante na vertical, e faça o corte da calota sempre no lado de baixo, girando o falante quando necessário.
      Isto evitará que as sujeiras ou rebarbas entrem no gap.
      Não deixe restos muito altos, nem partes soltas ou que possam vir a se soltar.

      Se você não apoiar as mãos no cone, não haverá problemas com a centralização, que é feita pelo cone e aranha.

      Após retirado o protetor original, coloque outro maior, que cubra o anterior, mas que não fique encostado nele.
      Se ficar encostando, poderão aparecer ruídos no som.
      O protetor maior, cobrindo o original, esconderá o recorte do protetor original.

      Os restos do protetor anterior servirão inclusive de anteparo para um eventual excesso de cola.

      • Aldovan
        24 de setembro de 2013 às 00:03 | #16

        Zebio

        Mas observei que usa cola de contato e não Araldite, logo acho que calor deve soltar ou algum solvente…
        Mas acho que solvente pode danificar o cone.

        Aldovan

    • joab ribeiro
      24 de setembro de 2013 às 08:44 | #17

      Zébio, mede a fundura do gap, divide pela metade, aí vai a bobina. Certo, mas tenho uma dúvida: o meio do gap é colocado ao fim do enrolamento ou no meio do enrolamento da bobina?

      Date: Tue, 24 Sep 2013 01:20:41 +0000
      To: jo.ab.ribeiro@hotmail.com

      • 26 de setembro de 2013 às 20:11 | #18

        Joab, exatamente no meio. Você deve deixar a mesma quantidade de fio da bobina para fora do gap, tanto do lado de cima quanto debaixo da bobina. Pense bem: o falante está em repouso, então ele deve estar numa posição central. Quando a bobina receber o sinal do amplificador, irá movimentar o cone para frente ou para trás, com a MESMA intensidade. Por isto, a folga deve ser igual para cada lado do gap. A bobina, quando em repouso, fica no meio do gap.

      • joab ribeiro
        27 de setembro de 2013 às 14:02 | #19

        seria isso zebio nao repara o dezenho tosco mais da para ver Date: Thu, 26 Sep 2013 23:11:16 +0000 To: jo.ab.ribeiro@hotmail.com

      • 28 de setembro de 2013 às 00:03 | #20

        Joab, não veio nenhum desenho.

      • joab ribeiro
        29 de setembro de 2013 às 16:48 | #21

        From: jo.ab.ribeiro@hotmail.com To: Subject: RE: [Novo comentrio] TCNICA Conserto de alto-falantes Date: Fri, 27 Sep 2013 20:02:13 +0300

        seria isso zebio nao repara o dezenho tosco mais da para ver Date: Thu, 26 Sep 2013 23:11:16 +0000 To: jo.ab.ribeiro@hotmail.com

      • 29 de setembro de 2013 às 19:55 | #22

        Joab, pelo jeito a interface do blog não aceita imagens diretamente. O que você poderia fazer seria cadastrar a imagem em um site, como o Flickr, e nos passar o link em seu comentário.

  9. 17 de setembro de 2013 às 11:14 | #23

    Então tenho essa mesma duvida do amigo Santana, qual seria a melhor posição da bobina no gap ?

    • 17 de setembro de 2013 às 22:17 | #24

      Joab, olhe com atenção os desenhos que fiz do falante, em corte, na figura 18, a bobina está em vermelho. O gap é a valeta circular onde a bobina fica. A bobina não pode jamais tocar em qualquer parte do gap, por isto são utilizadas as tiras de filme plástico para centragem.

      Com relação à altura, o meio da bobina fica na metade da espessura da placa polar. Esqueça a forma de kapton, alumínio ou o que for, o importante é o enrolamento, ele é a bobina, na prática.

      Toda bobina tem uma altura maior do que a placa polar, alguns ou vários milímetros, depende diretamente do tipo de uso (excursão menor ou maior, respectivamente, do conjunto cone e suspensão). Como o cone movimenta-se em ambos os sentidos, a bobina deve ter uma sobra igual tanto de um lado quanto de outro da placa polar, exatamente como mostra o desenho da figura 18.

      Como o lado de baixo não é visto de fora, pois está dentro do conjunto magnético, é importante, ANTES DE COLAR TUDO, medir a espessura da placa polar e descontar da altura da bobina. A altura restante da bobina, dividida por dois, será o que ficará para fora da placa polar, de cada lado.

      Um teste simples, para ver se o conjunto está alinhado corretamente, depois de montado: coloque som baixinho no falante e movimente cuidadosamente o cone, com as mãos, tanto para dentro quanto para fora da carcaça. Se o som aumentar de intensidade em uma posição que não seja a de repouso, o falante estará com a bobina fora da posição correta.

      Releia o texto com cuidado, verá que estas explicações já estão lá.

  10. Ronaldo
    21 de agosto de 2013 às 22:19 | #25

    Boa noite, Zébio. Em primeiro parabéns pela clareza do texto e riqueza de detalhes do seu artigo. Está muito bom ! Me esclareça uma dúvida . Ao adquirir uma bobina móvel para reposição , notei que o altura do enrolamento da nova é bem maior que a original, isto é a antiga é bobina “curta” e a nova é a “longa”, conforme comentado no artigo sobre bobinas móveis mostrado no seu link. Mas substituir um pelo outro não implicaria em modificar e consequentemente afetar o rendimento do alto falante em relação ao projeto original? Para não ocorrer este problema há disponibilidade no mercado de bobinas curtas igual ao original ou posso substituir um pelo outro sem nenhum problema?
    Um grande abraço (ass: Ronaldo)

    • 22 de agosto de 2013 às 12:41 | #26

      Ronaldo, é exatamente isto que ocorre: uma bobina mais longa é menos eficiente. É adequada para alto-falantes de suspensão macia, que precisam de grande excursão da bobina. Por isto ela tem que ser longa, caso contrário o som sairia distorcido. São falantes indicados para graves, que precisam de um conjunto magnético que não bata na bobina em caso de fim de curso (a traseira do falante, além de ventilada, tem uma protuberância para acomodar a bobina, em caso de excessos, sem causar dano).

      Se o falante tem bobina curta, é porque o cone tem as bordas mais firmes e não aceita uma excursão tão grande. Nestes casos, ela será de poucos milímetros. É o cone mais indicado para médio-graves e médios.

      Em qualquer caso, a bobina SEMPRE deve ficar dentro do gap.

      A substituição é possível, mas o falante “falará” mais baixo.

  11. Josafa Silva
    21 de julho de 2013 às 17:53 | #27

    Boa Tarde Zébio. Gostaria que você esclarecesse umas dúvidas. Qual a vantagem e desvantagem de se retirar a aranha de um woofer de 1505 e colocar duas aranhas, é verdade que fica melhor? tem que ter uma força (amp) de maior potencia? ou é tudo mito?
    Aguardo seu esclarecimento. Obrigado
    Josafa Silva

    • 21 de julho de 2013 às 18:31 | #28

      Josafa, em princípio o cone deveria ter o movimento o mais livre possível, pois isto aumenta sua eficiência, que é baixíssima. Os melhores falantes alcançam a muito custo (e preço) os 10%. Quer dizer, pelo menos 90% da potência fornecida ao alto-falante transforma-se em calor, o restante é som. E além disso, a grande maioria dos falantes tem uma eficiência abaixo de 4%, geralmente fica ao redor de 1,5%…

      Por outro lado, modificar as características construtivas dos falantes pode levar a resultados desastrosos. A única vantagem de utilizar duas aranhas é que elas centram melhor a bobina e podem aguentar mais potência. Mas para não reduzirem muito a eficiência, elas deveriam ser enormes, quase do tamanho do cone.
      E se você vai colocar uma aranha grande e outra menor, porque o alto-falante não tem espaço adequado, é melhor pensar em comprar outro woofer.

      O que importa, na verdade, é a sensibilidade, que é, na prática, a característica que informa quão eficiente é um alto-falante.

      Vou dar um exemplo. Considere que você tem 3 alto-falantes de mesmo tamanho e impedância e a potência é medida da mesma forma em todos eles.

      Você tem um woofer com sensibilidade de 98dB/W/m (decibéis por Watt por metro) e outro com 95dB/W/m e quer fazer todos falar no mesmo volume.
      Suponha que o falante que tem sensibilidade de 98dB precisa de 100W para reproduzir o nível sonoro desejado.
      O outro falante, de 95dB, precisará receber 200W para falar igual. Simples assim.

      Suponha ainda que o terceiro alto-falante tem sensibilidade de 101dB/W/m. Este precisará menos potência ainda: 50W.
      Ou seja, QUATRO VEZES MENOS POTÊNCIA do que o de 95dB. E todos falando na mesma intensidade sonora.

      O falante de 95dB irá aquecer muito mais cedo do que os outros, e apresentará antes também, os efeitos da compressão dinâmica.
      A compressão dinâmica é resultado da diminuição da imantação do conjunto magnético por causa do calor, o que reduz drasticamente a sua eficiência.
      Então, você deveria pensar em como não aquecer o conjunto magnético do falante, para manter sua eficiência elevada.

      Por isto que muitos que fazem som tendem a aumentar o volume após algum tempo, pois os falantes “não respondem mais”. Isto forma um círculo vicioso que só aumenta o problema: mais potência = mais calor = menor eficiência = menor intensidade sonora, aí coloca mais um pouco de potência…

      • Josafa Silva
        21 de julho de 2013 às 22:19 | #29

        Boa noite, Zebio! seu esclarecimento foi muito precioso pra mim, pois agora entendi +- como funciona o sistema, No entanto ainda me resta uma duvida. Sendo o “CALOR” um dos maiores problemas na eficiência de rendimento de som de Auto-falantes. então as caixas estilo line Array (aero) ATIVA me daria menos rendimento pelo fato de que: o amp de potencia está dentro e junto com os falantes? ou eu teria melhor rendimento com as caixas estilo Line Array (aero) PASSIVA por eu ter que usar uma potencia (amp) de rack logicamente longe dos falantes?
        Obrigado.

      • 22 de julho de 2013 às 12:47 | #30

        Josafa, note que a qualidade da ventilação/resfriamento, tanto do alto-falante quanto do amplificador, é uma questão de projeto. Se for bem feito, não causa problemas. Um sistema caro e elaborado poderia até utilizar resfriamento a água, como fazem com alguns computadores de alto desempenho.

        Mas se você afastar os amplificadores das caixas, causará outro empecilho: a impedância das caixas é muito baixa, e os amplificadores deveriam ficar o mais próximos possível dos falantes. Ou deveriam utilizar cabos muito grossos.

        Numa caixa com impedância de 8 ohm, uma resistência da fiação em torno de 0,4 ohm corresponderia a 5% a mais de impedância, o que faria diminuir o fator de amortecimento (impacto dos graves) e causaria redução da potência admissível, por causa da resistência do cabeamento.

      • Josafa Silva
        23 de julho de 2013 às 20:11 | #31

        Boa noite Zebio! Obrigado, pelas informações. Pois foram muito úteis. Um grande abraço.

  12. Santana
    14 de julho de 2013 às 22:04 | #32

    gostei da matéria viu rei muito boa, aprendir a reformar auto-falante á algum tempo atrás mas ainda tinha alguma duvida quanto a altura da bobina qual a posição certa.
    eu sempre me baseava pelo o falante velho, mais as vezes quando vinha rasgado ou sem ai
    ficava difícil, mas agora cara você me deu o pulo do gato, era só nisto minha duvida.
    pô cara ai valeu mesmo, É estas e outras que fazem a internet, e o mundo ficar melhor
    valou mesmo cara UM GRANDE ABRAÇO: (Ass. Santana).

    • 14 de julho de 2013 às 22:26 | #33

      Santana, outro grande abraço, este é o objetivo do blog: informar, sem enganar.

  13. eusebiop
    17 de janeiro de 2013 às 12:04 | #34

    Encontrei um link interessante do Instructables, que mostra como consertar o alto-falante sem destruir o cone original, apenas trocando a borracha da borda e o protetor central: http://www.instructables.com/id/Loudspeaker-Rescue/

  1. 15 de janeiro de 2014 às 17:43 | #1

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